sexta-feira, 20 de maio de 2016

Flora Digital Portuguesa

A existência, no nosso país, de um clima temperado mediterrânico puro, matizado pelas feições atlântica e continental, juntamente com diversos microclimas (relevo, natureza do solo, etc.) originou uma vegetação rica e variada. Assim, a vegetação de Portugal é composta por uma diversidade de espécies atlânticas, europeias, mediterrânicas e africanas.
O portal flora-on, gerido pela Sociedade Portuguesa de Botânica (SPB) sistematiza informação fotográfica e geográfica da flora portuguesa, contando com mais de duas mil espécies catalogadas e cerca de 199 mil registos geográficos. O projeto conta com o trabalho voluntário de vários cientistas e apela à participação do público.
Aqui poderás encontrar informação pormenorizada sobre cada uma das espécies vegetais descritas, através de uma ficha de identificação. Ora vê,

Ficha de identificação da Lonicera implex (madressilva)

Curiosidades: livro de culinária da Roma Antiga

Livro de culinária de Apício

De Re Coquinaria (ou Ars Magirica, ou Apicius Culinaris) é um compêndio de receitas culinárias da Roma Antiga, de autoria do gastrónomo Marcus Gavius Apicius (25 a.C. – 37 d.C.), que ficou conhecido a partir de manuscritos organizados por monges de Fulda nos séculos VIII e IX e editados somente no século XIX.
Originalmente escrito em latim, as receitas trazem exemplos de outras culinárias além da romana, como a grega, por exemplo.  
Apício era conhecido, sobretudo, pelas suas excentricidades culinárias (inventar pratos com ingredientes inusitados como calcanhares de camelo, línguas de pavões, flamingos ou rouxinóis) e pela sua enorme fortuna pessoal, a qual dilapidou no afã de preparar para si os mais refinados alimentos, elaborados com complicadas receitas, algumas atribuídas a ele, como o fois gras feito a partir dos fígados de gansos alimentados com figos. 
Se quiseres experimentar aqui te deixamos duas receitas:

Pulmentarum ad ventrem

Sopa para o ventre

Cozinharás acelgas miúdas e alhos-porros em conserva. Monta num prato.
Mói pimenta, cominho, derrama liquame, vinho de passas, para que fique um pouco doce. Faz com que ferva. Quando tiver fervido serve.

Liber III – Da Horta


Cucurbitas iure colocasiorum

Abóboras ao molho de favas

Cozinha as abóboras na água ao modo das favas. Mói pimenta, cominho, arruda, derrama vinagre, liquame. Temperarás numa panela, à qual adiciona um pouco de óleo e as abóboras cortadas, espremidas. Põe no molho para que fervam. Liga com fécula, esparge pimenta e serve.
Liber III – Da Horta

Nota: liquamen ou garum é uma espécie de molho obtido a partir da maceração pelo sol (durante cerca de dois meses) do intestino de peixes, de preferência atum e cavala. Era usado em praticamente todos os pratos, inclusive nos doces.
 
Mosaico romano com vários tipos de alimentos (classe rica)

Dia Internacional da Biodiversidade



A 22 de maio comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade proclamado pelas Nações Unidas com o objetivo de aumentar o grau de consciencialização e conhecimentos acerca da biodiversidade, cujo tema de 2016 é "INTEGRAÇÃO DA BIODIVERSIDADE PARA APOIO ÀS POPULAÇÕES E AOS SEUS MEIOS DE SUBSISTÊNCIA".
A biodiversidade – a variedade de formas de vida na Terra – torna o nosso planeta habitável e bonito. Muitos de nós olham para a natureza como fonte de prazer, inspiração ou lazer. Também dependemos dela para a alimentação, a energia, as matérias-primas, o ar e a água, sendo estes os elementos que tornam possível a vida tal como a conhecemos e que sustentam o desenvolvimento das nossas economias.
No entanto, apesar do seu valor ímpar, tomamos muitas vezes a natureza como um dado adquirido. As pressões exercidas sobre muitos sistemas naturais têm vindo a aumentar, fazendo com que funcionem de forma menos eficaz ou levando-os mesmo até ao limiar do colapso. Aquilo que designamos por perda de biodiversidade é uma situação demasiado comum.
Daí o empenho da União Europeia em travar a perda de biodiversidade. Assim, a UE criou uma rede de 26 000 áreas protegidas dentro das suas fronteiras, que abrange mais de 850 000 km2. Esta rede, conhecida como Natura 2000, é a maior rede de áreas protegidas no mundo.
Para saberes mais, consulta aqui a página do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e confirma se as tuas atitudes e comportamentos são respeitadores da biodiversidade.

Livro sobre a Biodiversidade

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Planta do mês: madressilva

A espécie de que vamos falar é a Lonicera implexa (madressilva-entrelaçada) da família das Caprifoliaceae. O nome Lonicera é uma homenagem ao botânico alemão do século XVI, Adam Lonicera. Já Caprifolia vem do latim cabra, devido à grande preferência que as cabras têm por esta planta, mas também talvez devido à sua natureza trepadora, assim como os caprinos.
Trata-se de arbustos tipo liana, semilenhosos e muito ramificados. São praticamente espontâneas e consideradas plantas invasoras. As madressilvas fazem umas bonitas e perfumadas sebes que atraem insetos polinizadores.
Lonicera implex (casinha da horta)
As folhas e as flores da madressilva são ricas em derivados salicílicos (aspirina). Podem, por isso, ser utilizadas para aliviar as dores de cabeça, febre, arterite e dores reumáticas.
As folhas contêm propriedades anti-inflamatórias e substâncias antibióticas ativas contra os estafilococos e o bacilo de coli, tornando-as um remédio útil para combater problemas respiratórios e infeções gastrointestinais.
A sua acão antiespasmódica e expectorante são um bom remédio para tratar
problemas de tosse, asma e bronquite.
Tanto as flores como as folhas são diuréticas, podendo também ser um bom digestivo ou um laxativo suave. É ainda calmante, sobretudo em casos de ansiedade provocada por ataques de asma.
Na Idade Média, acreditava-se que o seu perfume provocava sonhos eróticos e as adolescentes estavam, por isso, proibidas de levarem para casa ramos desta flor. Os chineses acreditam que o uso prolongado de madressilva aumenta a longevidade.
Na nossa escola temos duas espécies de madressilva: a  Lonicera implexa e uma outra que ainda não identificámos.

Madressilva (espécie não identificada) na vedação da horta biológica

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Dia da Espiga: 5 de maio

Ramo da Espiga
A Quinta-feira da Ascensão (de Jesus ao Céu) é uma festa religiosa católica que ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa, e calha sempre a uma quinta-feira. Há locais onde é mesmo um dia feriado. Neste dia celebra-se o Dia da Espiga ou Quinta-feira da Espiga.
Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres.
Com elas, formam um ramo com espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, etc.
Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga: que haja pão, isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar;
- A oliveira: que haja paz e que nunca falte a luz (divina).
- As flores: que haja alegria simbolizada pela cor das flores. O malmequer ainda «traz» ouro e prata, a papoila «traz» amor e vida e o alecrim «traz» saúde e força.
O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa.
Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, que era uma bênção aos primeiros frutos. No entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que vem bem mais de trás no tempo, talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e às quais se mantém ligada à tradição dos Maios e das Maias.

Também, a Horta Biológica se associou à celebração desta festa, compondo raminhos de espiga para a comunidade escolar. Esperamos que traga, a todos, boa sorte !!...

terça-feira, 26 de abril de 2016

A fome e o desperdício alimentar




A Comissão Europeia propôs o ano de 2014 como Ano Contra o Desperdício Alimentar. 
Enquanto 842 milhões de pessoas passavam fome em todo o mundo, cerca de 1,3 biliões de toneladas de alimentos é desperdiçada todos os anos (dados de 2014).




O desperdício desafia a capacidade do planeta não só em conseguir reduzir a fome mundial mas também em satisfazer as necessidades de uma população em rápida expansão.
Em Portugal, cerca de 360 mil portugueses passam fome. Enquanto isso, estima-se que todos os dias 50 mil refeições são desperdiçadas de norte a sul do país. 
Prevenir o desperdício alimentar deveria ser um compromisso de todos.
O controlo do que desperdiçamos começa por nós. 




Algumas dicas sobre como evitar o desperdício:


Seria útil criar a noção de Pegada Alimentar para permitir às famílias calcularem o respetivo nível de desperdício.


Maias

Uma porta enfeitada com giesta amarela
O 1º de Maio, por tradição, é o Dia das Maias e comemora-se por todo o nosso país. Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio colocam-se as Maias (giestas de flores amarelas), em portas e janelas.
A origem desta tradição perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada com danças e cantares.
Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus... Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.
Seja como for, todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. Mais tarde, houve necessidade de lhe incutir algum sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. 

A Maia da Cova da Piedade
Na Cova da Piedade, o dia 1 de Maio é dia de festa:
A Maia é uma boneca de panos cosidos por senhoras da Romeira. O pano branco é cheio de palha e o chapéu, também é de palha e enfeitado com flores. Ao peito traz um grosso cordão de ouro, com medalhão pendurado; na mão direita tem três figos secos, que simbolizam a virgindade e na mão esquerda um cesto com flores. 
A Maia da Cova da Piedade é uma camponesa que personifica o despertar da fecundidade e festeja a chegada da Primavera. A sua origem está ligada à divindade romana Maia. Mas às ruas da Cova da Piedade chegou vinda da tradição algarvia. Ora espreita aqui.