sexta-feira, 20 de maio de 2016

Curiosidades: livro de culinária da Roma Antiga

Livro de culinária de Apício

De Re Coquinaria (ou Ars Magirica, ou Apicius Culinaris) é um compêndio de receitas culinárias da Roma Antiga, de autoria do gastrónomo Marcus Gavius Apicius (25 a.C. – 37 d.C.), que ficou conhecido a partir de manuscritos organizados por monges de Fulda nos séculos VIII e IX e editados somente no século XIX.
Originalmente escrito em latim, as receitas trazem exemplos de outras culinárias além da romana, como a grega, por exemplo.  
Apício era conhecido, sobretudo, pelas suas excentricidades culinárias (inventar pratos com ingredientes inusitados como calcanhares de camelo, línguas de pavões, flamingos ou rouxinóis) e pela sua enorme fortuna pessoal, a qual dilapidou no afã de preparar para si os mais refinados alimentos, elaborados com complicadas receitas, algumas atribuídas a ele, como o fois gras feito a partir dos fígados de gansos alimentados com figos. 
Se quiseres experimentar aqui te deixamos duas receitas:

Pulmentarum ad ventrem

Sopa para o ventre

Cozinharás acelgas miúdas e alhos-porros em conserva. Monta num prato.
Mói pimenta, cominho, derrama liquame, vinho de passas, para que fique um pouco doce. Faz com que ferva. Quando tiver fervido serve.

Liber III – Da Horta


Cucurbitas iure colocasiorum

Abóboras ao molho de favas

Cozinha as abóboras na água ao modo das favas. Mói pimenta, cominho, arruda, derrama vinagre, liquame. Temperarás numa panela, à qual adiciona um pouco de óleo e as abóboras cortadas, espremidas. Põe no molho para que fervam. Liga com fécula, esparge pimenta e serve.
Liber III – Da Horta

Nota: liquamen ou garum é uma espécie de molho obtido a partir da maceração pelo sol (durante cerca de dois meses) do intestino de peixes, de preferência atum e cavala. Era usado em praticamente todos os pratos, inclusive nos doces.
 
Mosaico romano com vários tipos de alimentos (classe rica)

Dia Internacional da Biodiversidade



A 22 de maio comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade proclamado pelas Nações Unidas com o objetivo de aumentar o grau de consciencialização e conhecimentos acerca da biodiversidade, cujo tema de 2016 é "INTEGRAÇÃO DA BIODIVERSIDADE PARA APOIO ÀS POPULAÇÕES E AOS SEUS MEIOS DE SUBSISTÊNCIA".
A biodiversidade – a variedade de formas de vida na Terra – torna o nosso planeta habitável e bonito. Muitos de nós olham para a natureza como fonte de prazer, inspiração ou lazer. Também dependemos dela para a alimentação, a energia, as matérias-primas, o ar e a água, sendo estes os elementos que tornam possível a vida tal como a conhecemos e que sustentam o desenvolvimento das nossas economias.
No entanto, apesar do seu valor ímpar, tomamos muitas vezes a natureza como um dado adquirido. As pressões exercidas sobre muitos sistemas naturais têm vindo a aumentar, fazendo com que funcionem de forma menos eficaz ou levando-os mesmo até ao limiar do colapso. Aquilo que designamos por perda de biodiversidade é uma situação demasiado comum.
Daí o empenho da União Europeia em travar a perda de biodiversidade. Assim, a UE criou uma rede de 26 000 áreas protegidas dentro das suas fronteiras, que abrange mais de 850 000 km2. Esta rede, conhecida como Natura 2000, é a maior rede de áreas protegidas no mundo.
Para saberes mais, consulta aqui a página do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e confirma se as tuas atitudes e comportamentos são respeitadores da biodiversidade.

Livro sobre a Biodiversidade

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Planta do mês: madressilva

A espécie de que vamos falar é a Lonicera implexa (madressilva-entrelaçada) da família das Caprifoliaceae. O nome Lonicera é uma homenagem ao botânico alemão do século XVI, Adam Lonicera. Já Caprifolia vem do latim cabra, devido à grande preferência que as cabras têm por esta planta, mas também talvez devido à sua natureza trepadora, assim como os caprinos.
Trata-se de arbustos tipo liana, semilenhosos e muito ramificados. São praticamente espontâneas e consideradas plantas invasoras. As madressilvas fazem umas bonitas e perfumadas sebes que atraem insetos polinizadores.
Lonicera implex (casinha da horta)
As folhas e as flores da madressilva são ricas em derivados salicílicos (aspirina). Podem, por isso, ser utilizadas para aliviar as dores de cabeça, febre, arterite e dores reumáticas.
As folhas contêm propriedades anti-inflamatórias e substâncias antibióticas ativas contra os estafilococos e o bacilo de coli, tornando-as um remédio útil para combater problemas respiratórios e infeções gastrointestinais.
A sua acão antiespasmódica e expectorante são um bom remédio para tratar
problemas de tosse, asma e bronquite.
Tanto as flores como as folhas são diuréticas, podendo também ser um bom digestivo ou um laxativo suave. É ainda calmante, sobretudo em casos de ansiedade provocada por ataques de asma.
Na Idade Média, acreditava-se que o seu perfume provocava sonhos eróticos e as adolescentes estavam, por isso, proibidas de levarem para casa ramos desta flor. Os chineses acreditam que o uso prolongado de madressilva aumenta a longevidade.
Na nossa escola temos duas espécies de madressilva: a  Lonicera implexa e uma outra que ainda não identificámos.

Madressilva (espécie não identificada) na vedação da horta biológica

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Dia da Espiga: 5 de maio

Ramo da Espiga
A Quinta-feira da Ascensão (de Jesus ao Céu) é uma festa religiosa católica que ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa, e calha sempre a uma quinta-feira. Há locais onde é mesmo um dia feriado. Neste dia celebra-se o Dia da Espiga ou Quinta-feira da Espiga.
Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres.
Com elas, formam um ramo com espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, etc.
Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga: que haja pão, isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar;
- A oliveira: que haja paz e que nunca falte a luz (divina).
- As flores: que haja alegria simbolizada pela cor das flores. O malmequer ainda «traz» ouro e prata, a papoila «traz» amor e vida e o alecrim «traz» saúde e força.
O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa.
Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, que era uma bênção aos primeiros frutos. No entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que vem bem mais de trás no tempo, talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e às quais se mantém ligada à tradição dos Maios e das Maias.

Também, a Horta Biológica se associou à celebração desta festa, compondo raminhos de espiga para a comunidade escolar. Esperamos que traga, a todos, boa sorte !!...

terça-feira, 26 de abril de 2016

A fome e o desperdício alimentar




A Comissão Europeia propôs o ano de 2014 como Ano Contra o Desperdício Alimentar. 
Enquanto 842 milhões de pessoas passavam fome em todo o mundo, cerca de 1,3 biliões de toneladas de alimentos é desperdiçada todos os anos (dados de 2014).




O desperdício desafia a capacidade do planeta não só em conseguir reduzir a fome mundial mas também em satisfazer as necessidades de uma população em rápida expansão.
Em Portugal, cerca de 360 mil portugueses passam fome. Enquanto isso, estima-se que todos os dias 50 mil refeições são desperdiçadas de norte a sul do país. 
Prevenir o desperdício alimentar deveria ser um compromisso de todos.
O controlo do que desperdiçamos começa por nós. 




Algumas dicas sobre como evitar o desperdício:


Seria útil criar a noção de Pegada Alimentar para permitir às famílias calcularem o respetivo nível de desperdício.


Maias

Uma porta enfeitada com giesta amarela
O 1º de Maio, por tradição, é o Dia das Maias e comemora-se por todo o nosso país. Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio colocam-se as Maias (giestas de flores amarelas), em portas e janelas.
A origem desta tradição perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada com danças e cantares.
Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus... Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.
Seja como for, todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. Mais tarde, houve necessidade de lhe incutir algum sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. 

A Maia da Cova da Piedade
Na Cova da Piedade, o dia 1 de Maio é dia de festa:
A Maia é uma boneca de panos cosidos por senhoras da Romeira. O pano branco é cheio de palha e o chapéu, também é de palha e enfeitado com flores. Ao peito traz um grosso cordão de ouro, com medalhão pendurado; na mão direita tem três figos secos, que simbolizam a virgindade e na mão esquerda um cesto com flores. 
A Maia da Cova da Piedade é uma camponesa que personifica o despertar da fecundidade e festeja a chegada da Primavera. A sua origem está ligada à divindade romana Maia. Mas às ruas da Cova da Piedade chegou vinda da tradição algarvia. Ora espreita aqui.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Os bichos da horta

Na horta existe uma grande variedade de espécies, quer vegetais quer animais.
Hoje, vamos falar-te de alguns dos animais observáveis em áreas agrícolas através de um trabalho feito, há alguns anos, por um grupo de alunos desta escola. 
Uns são muito úteis, outros nem por isso.